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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Aos deuses antigos e aos novos

Quem diabos você pensa que é para fazê-los chorar? Fazê-la sangrar, fazê-lo cair. Quem é você para quebra-lo em pedaços com um punhado de palavras bem escolhidas? E quem lhe deu o direito de tornar toda essa dor tão bela? Eu aprendi do modo mais difícil que escritor tem complexo de deus. Eles criam mundos, dão vida a personagens e brincam de matá-los e nos fazer chorar. Não pense nem por um segundo que suas lágrimas não são bem-vindas. Escritor gosta mesmo é de escrever com um bom copo de lágrimas ao alcance da mão. As lágrimas do leitor: como são doces! Seus sorrisos também são prezados, mas são as lágrimas que nos fazem lamber os lábios e tomar mais um gole. Eu falo na primeira pessoa do plural, porque faço parte dessa divindade pagã. Eu mesma gosto de escrever bebendo as suas lágrimas. E, mais vezes do que seria saudável, um pouco de sangue. Nesse caso, o sangue não é seu, mas dos meus personagens. Meus. Escritor é deus egoísta. Ele cria, nomeia e acha que a vida deste o pertence. São seus - meus - para amar e matar. Ah, isso é outra coisa que devo mencionar: amor de escritor é perigoso, ele mata. Todo escritor é um deus masoquista. Sádico. Arrogante. Egoísta ao extremo. Porém, diga-me um único deus que não é tudo isso e ainda mais e poderei até repensar meu ateísmo (só que não). E quem diabos eu penso que sou? Sou minha própria deusa. Minha religião são as palavras.  Escrevo palavras salgadas de lágrimas, doces de amor e vermelhas, tão vermelhas. Minhas mãos nunca estão limpas; as pontas dos dedos são sujas de sangue. Eu sempre lambo os dedos no final. O gosto é bom, mas faz doer o coração. E eu gosto. Ah, como eu gosto!





Uma citação de quebrar o coração e um comentário tolo. Sinta-se a vontade para ignora-los.

"Ele sorri com menos frequência agora." George Martin partindo corações e jogando-os aos dragões de estimação para serem queimados e depois devorados.
*
É engraçado estar nos dois lados dessa história - leitor e escritor. Fazer as perguntas já sabendo as respostas. "Ele sorri com menos frequência agora". 'Quem diabos ele pensa que é?'. Ele pensa que é deus. De certo modo ele é, mas eu sou também.

4 comentários:

Bruna K. disse...

"Sou minha própria deusa. Minha religião são as palavras." <3

Medo dessa citação, muito medo.

Amanda Schmidt disse...

E deve ter mesmo. Se tu for como eu - e sei que tu é - vai chorar lágrimas de sangue nesse capítulo.

Irene Chemin disse...

E apesar disso tudo, escritores são lindos!
Texto muito interessante. Me sinto ainda mais escritora agora.

Amanda Schmidt disse...

Obrigada!
E tu nunca deveria duvidar do quanto tu é escritora. Já perdi a conta de quantas vezes fui comentar no teu blog e não encontrei as palavras '-'