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terça-feira, 6 de março de 2012

Violante

O problema foi o coração. Eu fui uma Rainha vestida de aço. A inteligência era minha espada - muita afiada, modéstia a parte - e meu corpo, minha coragem, uma armadura impenetrável. Quem dera meu coração também fosse de aço - ou de pedra, ou de gelo -, mas ele era só músculos e sangue. Ou melhor, ele era só músculos, sangue e amor. Foi Cosme - e Brianna e Gaio - e os livros. Eles driblaram minha espada, penetraram na minha armadura e pegaram meu coração com mãos quentes. E isso arruinou tudo, arruinou a mim! Não que eles tenham tido qualquer intenção. Nenhum deles tinha qualquer intenção de me amar e foi assim mesmo que fizeram - ou melhor, não fizeram. Eles só eram doces promessas e isso foi o bastante. Que tola, que fraca! Maldito coração! Fui tão óbvia no amor, todos eles perceberam. Os plebeus, sempre tão cegos, apontaram para o meu coração assombrados. Eles enxergavam e não entendiam. "Como pode ser que tu tenhas um coração tão belo - tão obviamente belo - quando a feiura manchou assim a tua face?". Ah, mas é claro que eles perguntariam. Cegos. Nunca enxergaram além da mancha em meu rosto. Não importa, pois a guerra aqui não é ganha com beleza - o corpo sem vida do meu belo marido grita essa simples e cruel verdade -, e sim com sangue... Sangue de tinta! O coração também é de tinta, sangra também... Eu deveria ter sabido melhor, o problema foi o coração. Deveria ter adivinhado que era aí que eles iam atacar, é sempre no coração.




Violante, A Feia. Rainha de Ombra, viúva do Rei Cosme, O Belo. 

2 comentários:

Bruna K. disse...

A infeliz e feia Violante e seu belo coração sempre terão um lugar especial na minha vida.
Lindo, Amanda.

Amanda Schmidt disse...

Violante é um daqueles personagens que seriam perfeitos se não quebrassem nossos corações desse jeito.
Obrigada, Bruna *-*