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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Sobre como Joe Hill arrancou meu coração do peito e o fez em pedaços

Acordei triste hoje. Triste por ter acordado e não devido a ser arrancada de algum sonho bom - nunca tenho sonhos bons, nunca -, mas porque sabia que o melhor que poderia fazer do resto do dia era continuar dormindo. Ao invés disso, eu levantei da cama e fiquei esperando pelas lágrimas. Poderia ser tristeza o que eu sinto, mas também poderia ser tédio. Tenho essa mania de confundir tédio, saudade e/ou cansaço com tristeza. Para mim, tudo tem o mesmo gosto. Também poderia ser o calor... Está muito quente por aqui. O tipo de calor que nos faz tomar 6 banhos por dia e deixa a boca seca e ansiosa por um pouco de água, mesmo que seja salgada de tristeza. Metáforas a parte, eu não chorei. A verdade é que tenho uma preguiça eterna de chorar pelas minhas tristezas. E, sim, isso é literal.

***

Eu me apaixonei por um conto do Joe Hill. Estava protelando a leitura dele, depois de ler um elogio e tanto sobre o mesmo na introdução desse livro de contos. Disseram que era "transcendente". Logo, meu inconsciente decidiu que eu deveria esperar o momento certo para lê-lo e aí comecei a protelar. Que tolice a minha! Digo que o momento escolhido para a leitura não diminuirá em nada a "transcendência" do conto. Quando li a primeira frase percebi que essa história iria fazer meu coração em pedaços. Aprendi a reconhecer - e a amar - esse tipo de história. O conto não me decepcionou nisso e, antes do final, meu coração já estava em pedaços no chão e eu me debulhava nas lágrimas que tinha aguardado mais cedo.

***

Quando minha mãe viu meus olhos vermelhos, ela logo perguntou porque eu estive chorando.
"Por causa da história."
"Rá! Tu acha que eu acredito nisso?"
(Esse é um daqueles momentos um tanto irônicos em que eu digo a verdade e minha mãe me chama de mentirosa.)
"É verdade!" Então, meio que pra provar, eu digo para ela ler o conto.
"Não obrigada. Pra eu chorar? Prefiro chorar pela minha própria vida!"
Saibam que eu discordo totalmente da minha mãe.

***

Eu prefiro chorar pelas histórias, pelos personagens. Prefiro chorar por Art - pobre e doce Art - que era bom demais para esse mundo, e por seu melhor amigo que foi obrigado a deixa-lo ir. Prefiro chorar por Dedo Empoeirado que passou tempo demais longe de casa. Por Daenerys e Jon Snow, a quem vida parece especialmente interessada em torturar. Por Liesel que perdeu a família duas vezes. Por Dean e Sammy.  Pelos Baudelaire. Por John e Sherlock. Por Frodo e Sam. Por Harry. Por Sally Lockhart. Por Paty e Walter. Por Neville. Por Clare e Henry. Por Alec e Imogene. Thurstan Beauchamp e Yusuf. Por Draco. Por Thomas Cale. Por Torak e Lobo. Por Lyra e Will. Por Thomas Ward e Alice. Por Snape e Sirius. A lista segue longamente.
Prefiro sofrer por eles do que sofrer por mim. O sofrimento deles que é tão mais verdadeiro mesmo que nem sequer seja real. Choro, porque não é justo. Choro, porque o sofrimento deles é o meu. Choro por eles e, ao mesmo tempo, estou chorando por mim. Eu choraria por minhas próprias tristezas, meus próprios sofrimentos - as vezes, eu choro -, mas não acho digno. É mais fácil, mais belo chorar por eles. 
Eles não são reais, eu sei, e quando lembro disso tenho vontade de chorar por mim e só por mim. A solidão tem o mesmo gosto da tristeza, só que mais acentuado... Pois eu não tenho com quem mais dividi-la. 

2 comentários:

Bruna K. disse...

"Eles não são reais, eu sei, e quando lembro disso tenho vontade de chorar por mim e só por mim."

Lindo, Amanda. Saber que mais alguém se sente assim faz eu me sentir menos sozinha. E ler isso nas tuas palavras faz tudo ser ainda mais melancolicamente bonito.

Amanda Schmidt disse...

Ainda bem que tenho tu pra entender o que eu sinto, se não eu não iria aguentar tanta solidão, haha. Obrigada, Bruna.