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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

The Blue Lady

Diferente do que muitos podem pensar, a tristeza não é má companhia. Muito mais estável do que sua irmã, ela vem para ficar. Entra batendo a porta, sussurra um pedido de desculpas pela rispidez, vai na ponta dos pés até o sofá e se acomoda quietinha num canto. Ela me olha com olhos arregalados de céu presos num rosto dotado de uma calma imperturbável. Ela não está com pressa, na verdade, trouxera bagagem. Após um breve olhar reprovador às malas posicionadas à seus pés, ela levanta o rosto e, quando nossos olhos se encontram novamente, ela sorri como se pedindo desculpas. Um sorriso cansado que nunca alcança seus olhos azulados e plácidos, mas nada desagradável. Ela definitivamente não é má companhia. Ela é paciente e fala baixinho para não assustar. Ela faz o mar transbordar dos meus olhos como se soubesse da minha saudade de casa e da urgência que tenho de sentir a água salgada nos meus lábios novamente. Ela me abraça quando choro, sussurrando doces palavras sem significado no meu ouvido. Ela nunca me deixa sozinha. Ás vezes, acho que prefiro estar com ela. Afinal, sua irmã fala alto demais e nunca pede perdão quando sai batendo a porta. Ás vezes, eu quero ficar com ela até me lembrar que é exatamente por isso que ela é tão perigosa. A tristeza não é má companhia e é por isso que eu constantemente tenho que empurra-la para fora da minha cama - do meu corpo, da minha alma. Pois se eu permitir que ela me envolva nos seus braços e cante canções de ninar no meu ouvido, temo que estarei perdida para sempre.


Um comentário:

Anthony L. Filardi disse...

Estou fascinado com o seu blog. Outro belíssimo texto, Amanda.